30/01/2011

Cuidados Com o Cão Portador de Dermatite Atópica


Boa noite, amigos.

O texto a seguir, que me foi fornecido por uma cliente, de autoria da Médica Veterinária Gabriela Machado Garcia, trata de um tipo de alergia que afeta a humanos e cães, a Dermatite Atópica.



Cuidados Com o Cão Portador de Dermatite Atópica

A Dermatite Atópica Canina é uma doença alérgica, de natureza genética, agravada por fatores ambientais. Tais fatores podem ser controlados pela mudança no manejo do paciente, o que pode minimizar e controlar seus sintomas clínicos.

Medidas a serem tomadas para o controle da Dermatite Atópica:

- Manter o cão em ambientes arejados e iluminados;

- A poeira doméstica deve ser removida com aspiradores de pó. O ambiente deve ser higienizado com cloro;

- Evitar que o cão durma debaixo da cama, local onde a concentração de poeira doméstica é grande;

- Usar capas impermeáveis em colchões, camas e travesseiros (tanto dos cães, como dos donos). Se possível, evitar que o paciente durma na cama;

- Remover cortinas, tapetes e carpetes. Quando não for possível, é recomendada a limpeza dos mesmos com vaporeto;

- Restringir o contato do paciente com grama, plantas e etc;

- Evitar que o cão passe muito tempo em ambientes úmidos, como banheiros, áreas de serviço etc;

- Evitar o uso de roupas com tecidos sintéticos ou de lã;

- Dar banhos com água fria e evitar o uso de secador muito quente, para não ocorrer maior ressecamento da pele; o ideal é o uso de sopradores. Usar no banho apenas produtos recomendados por veterinários e evitar o uso de perfumes após ele;

- Nunca tosar o cão alérgico com máquina, mas sim com tesouras;

- A escovação diária dos pêlos é importante para eliminar sujeiras e estimular a circulação sanguínea da pele;

- Fazer o controle intenso de pulgas e carrapatos;

- Oferecer rações balanceadas;

- Evitar alimentar o cão com comidas caseiras, leite e derivados, petiscos etc;

- Criar o hábito de passear com o cão, pois o confinamento gera um estresse no paciente, o que agrava a coceira.

Gabriela Machado Garcia.
Médica Veterinária

03/01/2011

Alterações de Comportamento dos Cães na Volta dos Donos ao Trabalho



Caros amigos e amigas,

Como neste período, entre dezembro e janeiro, muitas pessoas tiram férias, ou tem um período de recesso no trabalho, resolvi escrever este texto para tentar ajudá-los a minimizar os problemas de comportamento dos seus cães, que podem surgir na sua volta ao trabalho.

O que acontece nesta situação é o seguinte: para os cães, qualquer alteração na rotina da casa, como mudança de horários ou hábitos dos donos ou a chegada ou saída de pessoas da casa pode deixar os cães estressados, ansiosos ou inseguros, o que pode gerar problemas de comportamento. Durante as férias ou recesso do trabalho dos donos ou outras pessoas da casa a tendência, salvo quando estes viajam e deixam os cães com outras pessoas, é que passem mais tempo em casa e os cães começam a se habituar a essa nova rotina, que eles adoram, pois nada é mais importante para eles do que a companhia dos donos. Porém, quando este período acaba, os cães sofrem por perderem grande parte da atenção que passaram a ter.

Para evitar este sofrimento dos cães e os problemas de comportamento que podem surgir, devido ao aumento da ansiedade pela expectativa da volta dos donos, estes podem realizar um procedimento simples, para que o cão vá se adaptando aos poucos a sua ausência. 

Cerca de uma semana antes da volta ao trabalho, os donos devem procurar sair de casa por breves intervalos de tempo, que devem ir aumentando aos poucos. Experimentem começar indo até o final do corredor, ou dobrando para o vão entre as escadas, premiando o cão na volta, se ele tiver se mantido quieto, sem latir ou demonstrar algum sinal de ansiedade. Fazer o treino do comando “Fica” na porta, mesmo antes desse treinamento, pode ajudar muito. Quem mora em casa pode realizar o mesmo procedimento, indo até o portão e voltando. Depois que entrar em casa, dê atenção ao seu cão, brinque com ele ou pratique alguma atividade que ele goste. Na próxima vez que sair, que pode ser no mesmo dia ou alguns minutos depois, demore-se um pouco mais (cerca de cinco ou dez minutos) e repita o procedimento anterior. Se o cão tiver demonstrado ansiedade é sinal que você se demorou demais e o treino deve ser feito num ritmo mais lento; se não, continue o treinamento, demorando mais a cada saída e repetindo o procedimento da volta. Com isso seu cão vai entender que você vai sair, mas vai voltar e quando voltar ele vai ser premiado não só pela sua volta, como também com brincadeiras, carinhos, petiscos ou algum outro tipo de premiação que ele goste muito.

Realizando estes procedimentos, você não só vai atenuar o sofrimento do seu cão, como diminuir a chance dele desenvolver comportamentos compulsivos ou outros, como destruir as coisas para aliviar o estresse e até conseguir sua atenção. Eu mesmo fui chamado para resolver o caso de uma Lhasa Apso que, depois da volta da sua dona ao trabalho, depois das férias, adquiriu o hábito de morder os calcanhares das pessoas da casa e visitas, na hora delas saírem, para tentar não deixá-las ir embora e chamar a atenção.

Abraços a todos e um Feliz 2011!

19/12/2010

Cães Com Medo de Trovões e Fogos


Amigos,

Estamos há menos de uma semana do Natal e, por isso, resolvi escrever algumas orientações para vocês, sobre como proceder se seus cães tiverem medo de barulhos altos, como os fogos, soltos em grandes quantidades nestas datas.

Há algumas medidas que podem ser tomadas para fazer o cão perder o medo de sons altos, como fogos e trovões ou, ao menos, atenuá-lo.

Uma das coisas que se pode fazer é expor o cão a gravações de sons dos quais ele tem medo, associando-os a coisas agradáveis como brincadeiras, carinhos e petiscos. Deve-se começar com um volume bem baixo, já que a audição do cão é muito sensível e, gradualmente, à medida que ele não exibir nenhuma reação de medo ao som naquela altura, ir aumentando o volume. Se o cão demonstrar medo, é sinal que o som ficou alto demais. Deve-se ter cuidado para isso não ocorrer, para se evitar que o cão associe aqueles estímulos positivos (as brincadeiras ou os petiscos), a algo que causa medo a ele. Se ele tiver exibido medo, volte ao som mais baixo e vá aumentando mais devagar, só fazendo-o quando tiver certeza que o cão já se acostumou a ele.

Uma outra coisa que se pode fazer é levar o cão para um lugar da casa que ele tenha escolhido para se abrigar, quando sentir medo. Se, por acaso, o cão não tiver um lugar escolhido, você pode levá-lo para um que seja mais protegido. Em ambos os casos, procure vedar frestas de portas e janelas, para abafar, pelo menos parcialmente, os sons. Procure acostumar o cão a ficar nesse ambiente, mesmo em momentos em que não haja os sons que lhe causam medo, dando atenção, carinho, brincando, dando petiscos, para que ele associe esse ambiente a coisas agradáveis e não à expectativa de ocorrerem os sons que lhe causam medo. Quando você estiver com o cão nesse ambiente, acostume-o, também, a ouvir sons bem altos, como de TV, rádio, CDs com músicas barulhentas, que possam ajudar a disfarçar os sons dos trovões ou fogos, de modo que ele não associe os sons inofensivos a estes.

Se você não tiver como isolar o cão, ou estes sons ocorrerm inesperadamente (como no caso daquele vizinho que solta fogos mesmo sem nenhuma razão especial ou daquela trovoada da tempestade que você não percebeu se formar), associe o som a uma coisa boa: faça festa, chame para brincar, dê petiscos. Porém, tenha cuidado para fazê-lo antes dele exibir qualquer reação de medo, senão você o estará premiando por sentir medo.

Mesmo que você tenha se assustado, procure não demonstrar para seu cão, senão ele achará que tem reais motivos para sentir medo. Outra coisa que o dono não deve fazer é se abaixar e acariciar o cão enquanto ele estiver demonstrando medo. Isso passará para ele a impressão que você também está com medo e, da mesma forma, entenderá que tem motivos para sentir. Se seu cão lhe considera o líder da sua matilha, essa atitude se torna ainda mais grave, pois ele pode entender esse se abaixar e acariciar, como uma tranferência da lideraça para ele, o que gerará mais insegurança para ele, pois o líder está mostrando que não tem condições de lidar com a situação e o cão, que já está assustado, está recebendo uma responsabilidade que não tem condições de assumir. Ao invés disso, procure passar segurança para o seu cão. Ande pela casa calmamente, próximo à janela e até no quintal, com passos firmes, com o peito estufado e um ar altivo, como se dissesse para o cão: "Está tudo sob controle, não precisa se preocupar.".

Em casos de cães mais assustados, que exibem reações físicas, como tremores, taquicardia, vômito, diarréia e até convulsões, é aconselhado, antes das datas previstas de grandes comemorações, como Natal, Ano Novo, partidas importantes de futebol,  levar o cão ao veterinário para que ele receite uma medicação para prevenir esses sintomas, como ansiolíticos e até anticonvulsivantes.

Espero ter conseguido ajudar aos amigos e visitantes com essas dicas e desejo que todos tenham um Feliz Natal e um 2011 maravilhoso, repleto de realizações.

Um abraço a todos,

Reginaldo Ribeiro.

12/12/2010

Manejo Emergencial das Intoxicações




Caros amigos e visitantes, 

O texto a seguir foi postado em minha comunidade de proteção animal, por uma amiga e médica veterinária, mas espero que vocês nunca precisem tomar as medidas indicadas a seguir.

Um abraço,

Reginaldo Ribeiro.


Manejo Emergencial das Intoxicações

Primeiramente eu gostaria de comentar sobre como devemos lidar com a exposição à substâncias nocivas externas. Os casos mais comuns costumam acometer os olhos e a pele.

Na irritação ocular, os olhos do paciente devem ser enxaguados com água ou solução salina por pelo menos 20-30 minutos. Após esse procedimento, geralmente utilizamos lubricantes oleosos e examinamos para possíveis danos à córnea. Como monitoramento, é importante verificar periodicamente por alterações como hiperemia (*vermelhidão), blefaroespasmo (*contração repetitiva e rítmica dos músculos da pálpebra), lacrimejamento e dor. Na exposição da pele, o paciente deve ser lavado e o produto mais comumente utilizado é o sabão de louça comum. Banhos devem ser repetidos para remover completamente o agente tóxico. É importante enxaguar bem o paciente com água morna para retirar todo o sabão. Para secar, pode-se utilizar toalhas aquecidas para manter uma temperatura constante e evitar hipotermia.

Mas o grande perigo está na ingestão de substâncias tóxicas. Existem diversos procedimentos para lidar com essa emergência. É importante lembrar que provocar emese (*vômito) não é sempre recomendável, especialmente quando se trata de substâncias corrosivas. Em casos onde existe a suspeita de ingestão de substâncias corrosivas, o ideal é tentar diluir o agente, e isso pode ser feito através da administração de água ou leite em combinação com demulecentes na dose de 1-3mg/kg.

Nos casos onde a emese é indicada, ela é mais eficaz quando realizada dentro de 2-3 horas após ingestão da substância tóxica. A emese geralmente esvazia 40-60% do conteúdo estomacal e assumimos que é mais eficaz do que a lavagem gástrica. Outro detalhe sobre induzir emese é que essa não deve ser provocada em roedores, coelhos, pássaros, cavalos e ruminantes. Deve-se evitar induzir emese quando se trata de agentes como bases, ácidos, corrosivos e hidrocarbonos. Condições pré-existentes também limitam a prática deste procedimento (animais com epilepsia, doenças cardiovasculares, debilitados ou que acabaram de passar por procedimentos cirúrgicos abdominais). Algumas substâncias tóxicas possuem efeitos anti-emético (fenotiazínicos, antihistaminicos, barbitúricos, narcóticos, antidepressivos e marijuana), nesses casos, induzir a emese pode ser dificultada.

Outro procedimento utilizado em caso de ingestão de agentes tóxicos é a administração de carvão ativado (de uso hospitalar). O carvão ativado ajuda a adsorver agentes químicos ou tóxicos, facilitando a excreção do mesmo via fezes. É geralmente utilizado quando o paciente ingere venenos orgânicos, químicos ou toxinas bacterianas. A dose recomendada para todas as espécies é 1-3 gms/kg. Pode ser repetida cada 4-8 horas na metade da dose. Esse tipo de procedimento não deve, no entanto, ser realizado caso haja suspeita de ingestão de materiais cáustico. Esse tipo de material não é absorvido e com isso o carvão ativado pode acabar mascarando severas lesões por queimaduras na boca e no esôfago. Existem outros agentes químicos que não costumam ser adsorvido eficazmente pelo carvão ativado (Etanol, metanol, fertilizantes, flúor, destilados de petróleo, metais pesados, iodo, nitratos, nitrito, cloreto de sódio e cloratos. Para aumentar a eficácia da eliminação do carvão ativado, pode-se usar catártico. Catárticos aceleram a eliminação do carvão ativado evitando que ocorra uma re-absorção do agente adsorvido pelo carvão. Porém, catárticos não devem ser usados em animais que apresentam diarréia ou que estejam desidratados.

Enemas também podem fazer parte dos procedimentos de emergência. Esse procedimento é útil na eliminação de toxinas provenientes do trato gastrointestinal. Carvão ativado pode ser utilizado como enema. O uso de soluções de enema pré-misturadas para uso humano é contraindicado para animais por causar distúrbios de desbalanceamento eletrolítico. Técnicas gerais de enema envolvem o emprego de água morna é sabão.

Lavagem gástrica não deve ser empregada em casos onde se suspeita de ingestão de destilados de petróleo. Essa técnica requer emprego de anestesia geral.

Lavagem enterogástrica pode ser necessária quando existiu uma exposição à agentes letais como estricnina, metaldeídos, antidepressivos ou fluoracil.

Com relação a agentes que podem ser utilizados na emergência para induzir vômito, existem vários, porém o mais comum é o peróxido de hidrogênio (água oxigenada) 3%. A dose recomendada é 1 colher de chá (5ml)/2.5kg, e não se deve dar mais que 3 colheres de sopa (45ml). A água oxigenada causa vômito através de uma irritação gástrica leve. O vômito, geralmente, ocorre dentro de minutos.

Em ambiente hospitalar, a apomorfina é amplamente utilizada (cuidado com uso em gatos). Geralmente é administrada topicamente na conjuntiva. Raramente ocorre feitos adversos, mas se isso acontecer, esses efeitos podem ser revertidos com naloxone.

Escrito por Luiz Bolfer, DVM - University of Illinois - Veterinary Teaching Hospital

07/12/2010

Dicas Sobre Nutrição Canina




Por Que Alimentar Seu Cão Com Ração?

O cão é um animal que tem carências nutricionais diferentes das nossas, por isso sua dieta deve ser direcionada a atender essas necessidades. Quando alimentamos os cães com comida caseira, na grande maioria das vezes (quase sempre), não promovemos uma nutrição adequada. Por mais "sem graça" que possa parecer, a ração é, nesta maioria dos casos, a melhor opção. Por quê? 

Podemos dar alguns argumentos favoráveis ao uso de ração ao invés de comida caseira: 

1. Necessidades do Cão - Por mais variada que seja a comida do Rex, não conseguimos oferecer-lhe uma dieta completa e balanceada. Mesmo dando carne, legumes e ovos, ainda assim não conseguimos balancear esta ração; e macarrão, arroz e fubá não são comida de cachorro.

2. A Praticidade - Hoje em dia poucas pessoas têm tempo para fazer seu próprio almoço, muito menos a comida do cachorro. Para comprovar, basta-se observar que as vendas de comida congelada e desidratada têm aumentado de maneira significativa.

3. O Custo - Se colocarmos na ponta do lápis a despesa na elaboração de uma dieta para um cão, com: carne, ovos, legumes, complementos vitamínicos e minerais, e o trabalho que teremos adicionando cada ingrediente na medida certa para equilibrá-la. Comparado ao custo diário da alimentação a base de ração. Sem dúvida, a opção mais econômica será a ração (mesmo se esta for uma super-premium importada).


Onde Está a Diferença?

Nossos amigos peludos têm sua origem em outros canídeos selvagens, como os lobos, os chacais, os cachorros-do-mato... Estes animais, em vida livre, alimentam-se basicamente do que conseguem caçar ou, mais freqüentemente, das sobras de outros predadores (leões, leopardos...). E foi por este hábito que, os cães primitivos, se aproximaram dos homens primitivos, visto que o homem sempre foi um caçador até aprender a plantar e colher. Quando um canídeo se alimenta, come a carne, o pelo, a pele, os ossos, as vísceras e até o conteúdo intestinal das presas. E, respondendo à pergunta, o bom e velho Rex, precisa de uma dieta tão variada quanto a de seus parentes de vida livre, para que tenha uma vida saudável.


O Que Comprar?

No Brasil, hoje, temos diversos tipos de ração com qualidades diferentes. Para facilitar o entendimento, vamos classificá-los em três grupos. 

a) Rações Populares - São produtos mais baratos que existem no comércio. Normalmente, formuladas com subprodutos de milho, soja, farelo de algodão, etc. Tais ingredientes na ração de uma vaca, ou de um cavalo, seriam de excelente digestão, mas, voltando àquela historinha, nosso amigo é um carnívoro e precisa de proteína de origem animal, pronta a ser assimilada pelo seu organismo.

OBS.: Os vegetarianos de quatro patas têm a capacidade de transformar proteínas e carboidratos de baixa qualidade em "produtos mais nobres". Os cães e gatos precisam dos produtos nobres já prontos.


b) Rações "Standard" - São produtos de empresas de renome, na maioria das vezes, buscam através da mídia uma fatia maior do mercado consumidor. Por serem produtos de empresas maiores, têm um compromisso maior com a sua qualidade e são formuladas com ingredientes qualitativamente melhores que as rações populares. Contêm farinha de carne e ossos, glútem de milho, gordura animal, etc. Porém ainda não são "ideais" quanto à digestibilidade, porque se alcança o percentual de proteína com ingredientes de menor digestibilidade como a soja ou o glúten. Quanto ao custo, estão numa faixa intermediária de preços.

c) Rações Premium e Super Premium - São produtos de primeira qualidade, em nutrição canina, por isso mais caros. Têm sua formulação baseada em carne de frango, ovelha, peru... Porém, realmente carne, ou resíduos de abatedouro, como digestas de frango por exemplo. Tais ingredientes, de origem animal, têm maior digestibilidade, ou seja, o trato digestivo canino tem menos "trabalho" para metabolizá-los. Esta é outra característica das rações premium, como a digestibilidade é maior, o consumo diário de ração é menor (o que ameniza o preço da ração). Promovem, ainda, uma vida mais saudável. e reduzem o volume das fezes do animal.

As Rações super premium são assim classificadas a partir de um certo percentual de digestibilidade, o que pode variar de acordo com os interesses dos fabricantes, pois não há um "padrão" neste sentido. Como consumidor, para saber se a ração é de alta digestibilidade, ou não, basta analisar na embalagem os ingredientes que compõem a ração. As fontes proteicas devem ser de origem animal (carne de frango, carne de peru, digestas de frango, carne de ovelha, ovos, etc.). E as fontes de gordura também, ou pelo menos óleos vegetais nobres como, por exemplo, óleo de linhaça. Fontes proteicas vegetais como soja, glúten, etc. não têm alta digestibilidade. É bom desconfiar de produtos que têm em sua relação de componentes coisas como "carne de aves" (urubú também é ave / e de que parte da ave estão falando? Pena e bico são proteína pura e de baixíssima digestibilidade). O que pode aumentar a digestibilidade da ração é a presença de fibras de moderada fermentação (p.ex. polpa de beterraba branca), que aumenta a eficiência absortiva dos enterócitos. Outro ingrediente que melhora a digestibilidade são os F.O.S. (fruto oligo sacarídeos), que alimentam a microbiota intestinal, ou seja, beneficia o crescimento de "boas bactérias" no intestino, o que leva a uma melhor fermentação do bolo alimentar.

Resumindo, quando compramos uma ração para o amigo peludo, devemos estar atentos aos níveis de garantia (percentuais de proteína, gordura, etc. ) e a qualidade dos ingredientes. Por exemplo, uma ração para cachorro deve ter, no mínimo, 18% de proteína. O que é relativo porque carne é fonte de proteína e pena da galinha também. Carne é bem mais digerível que pena. Outro detalhe é o equilíbrio entre percentuais de proteína e gordura. Não é eficiente uma ração com 30% de proteína e 8% de gordura, nem outra com 18% de proteína e 20% de gordura.

Um quarto grupo de rações pode ser citado, as rações terapêuticas. Têm indicação clínica sendo auxiliares no tratamento de diversas enfermidades. Seu uso deve obedecer aos critérios do Médico Veterinário responsável pelo cão. 


Alguns Conselhos:

- Cadelas gestantes devem comer rações de filhote a partir do 30º dia até o fim da lactação. Esta prática reduz a chance de ocorrerem problemas futuros com a cadela prenhe. Além de aumentar sua vida reprodutiva.

- Os filhotes devem comer ração de filhote até atingir o tamanho adulto (o que varia de raça para raça )

- Cães de raças grandes devem receber dieta adequada, sem exageros, para um crescimento equilibrado e uniforme. Uma dieta reforçada demais pode trazer problemas de "calcificações indesejadas" no futuro.

- Os cães precisam de abrasão para seus dentes, portanto ofereça o que ele possa usar para isso. Esta medida é profilática a formação de tártaro, o que pode causar até a morte de seu cão. Por exemplo: o cão deve ter cotidianamente um osso, ou um brinquedo rígido, ou qualquer outro artifício para "escovar" seus dentes. Esta necessidade diminui à medida que o cão se alimenta apenas e tão somente de ração seca.

- Evite oferecer ao Rex petiscos do tipo: biscoito humano, pão, chocolate, pipoca... mesmo que ele goste muito. Estes alimentos estão freqüentemente envolvidos em casos de alergias alimentares, assim como macarrão, fubá e outros alimentos à base de amido. Essas alergias alimentares têm quadros variados que vão de simples coceira até feridas na pele e febre.

- A oferta de carne, somente, pode levar o cão problemas de raquitismo nutricional por causa do desequilíbrio entre Cálcio e Fósforo que ocorre em animais com este tipo de dieta.

- Uma ração de qualidade comprovada, preferencialmente as do tipo "premium", dispensam qualquer outra suplementação mineral ou vitamínica. E se for seca reduz a incidência de tártaro, dispensando, por vezes, o uso de abrasivos.

- Seu cão dificilmente enjoa da ração, simplesmente ele está satisfeito e não quer comer. Se ele está brincando normalmente, com sua vitalidade natural e ficar um dia ou outro sem comer não se assuste, permaneça oferecendo a mesma ração que você conscientemente escolheu para ele.

- Não existe ração ideal para todos os cães. Cada animal reage de uma maneira diferente. Tem cães que se adaptam perfeitamente a rações populares e outros que não se adaptam às super-premium. Por isso, a melhor pessoa para orientar sobre qual é a melhor opção de ração para cada cão é o médico veterinário que acompanha sua saúde. Ele é capaz de avaliar os parâmetros corretos e saber se a dieta é satisfatória para cada cão especificamente.

Guilherme Soares
Médico Veterinário

09/11/2010

Animais de Estimação e Equilíbrio Psicológico

Nos lares italianos há cerca de 7,4 milhões de gatos, 6,9 milhões de cães, 1,8 milhão de roedores e outros mamíferos não identificados, 13 milhões de pássaros e 1,4 milhão de outros animais, provavelmente serpentes, iguanas, aranhas e similares. E há ainda 29 milhões de peixes. Essa é a estimativa do Centro de Estudos Zoomark, em relatório sobre o mercado italiano de produtos para animais, apresentado em 2004.

É natural perguntar as razões da existência desses milhões de animais de estimação (pet em inglês, do verbo to pet, afagar, acariciar) e investigar os mecanismos sociais e psicológicos que nos levam a viver com cães, gatos e outros bichos. Os sociólogos mostraram que o fenômeno ocorre associado à urbanização, à difusão da higiene (água e sabão para todos), ao bem-estar generalizado e à alfabetização em massa. Esse fenômeno social, típico da sociedade moderna, passou a envolver também, nos últimos tempos, metrópoles orientais: em Bangcoc, por exemplo, realizaram-se em 2003 duas convenções dedicadas aos bichos de estimação.

Outro fator contemporâneo que parece explicar a pacífica invasão desses animais em nossas vidas é a mudança na estrutura familiar. A família ampla, com vários filhos, avós, parentes e empregados deu lugar à família restrita, com o casal, dois filhos (se tanto), raros avós e nenhum parente.

E há ainda os solteiros, inúmeros segundo as estatísticas sobre núcleos familiares compostos por uma única pessoa (em geral, viúvas). Daí a interpretação de que os animais substituiriam outros afetos mais importantes, o discurso sobre a alienação da cidade e a solidão dos idosos. Esses lugares-comuns, disseminados pelos meios de comunicação, são contestados pelos especialistas.

Segundo a psicóloga e psicanalista Barbara Alessio, "a relação com os animais é uma exigência profunda e autêntica dos seres humanos, com características próprias. Poderíamos falar de uma 'pulsão zoófila', isto é, de uma antiga inclinação para estabelecer relações com outras espécies.

Pode ocorrer, é claro, que o vínculo com um animal esteja substituindo outras necessidades, mas trata-se de uma distorção que pode ocorrer também em outras relações e atividades".

Cabe salientar ainda os progressos da medicina veterinária, que permitiram eliminar ou controlar as zoonoses (as patologias comuns a humanos e animais), eliminado assim o "medo de doença", que até pouco tempo tornava problemática a relação. Adriano Mantovani, do Centro de Colaboração OMS/FAO para a higiene urbana, recorda que "a raiva foi erradicada da Itália em 1973. Essa data marca o fim da época de indisposição com os animais e o início de um novo período, o da convivência. Antigamente, a relação com os animais de estimação, sobretudo os cães, era caracterizada pelo medo da raiva e de zoonoses, devido à cultura higiênica típica do fim do século XIX e início do XX. Nos últimos anos, porém, passamos para uma terceira fase, marcada pela promiscuidade: os animais de estimação deitam em nossas camas e sobem na mesa de jantar".

O entomólogo e sociobiólogo Edward O. Wilson estudou a atração humana pelos animais. De fato, ele fala em biofilia, ou amor pela vida, algo que não se limita a animais, mas se estende às plantas e aos ambientes naturais. Com essa expressão Wilson pretende assinalar o gosto humano inato pelos seres vivos e processos vitais.

Dito dessa forma parece tratar-se de um conceito vagamente sentimental, até mistificador. Na realidade, suas raízes são bem materiais e envolvem nossa história evolutiva. Desde sempre, os seres humanos conviveram e interagiram com os animais: mais precisamente, desde o tempo em que éramos caçadores e coletores e principalmente a partir da domesticação, um dos eventos mais significativos da história humana, iniciado há cerca de 10 mil anos. Segundo o veterinário Giovanni Ballarini, "se é verdade que o ser humano iniciou a domesticação e o animal se deixou domesticar, ao final é o animal domesticado que transforma a sociedade dos homens". A relação, também conflituosa, com os animais - nem a caça nem o treinamento são relações de "amor" - é uma constante na vida dos seres humanos em todas as épocas.

Mas as espécies e a situação mudaram, principalmente a proporção demográfica. Durante milênios e até poucos séculos atrás, os humanos eram minoria em relação a outras espécies vertebradas; agora, invadiram todo o planeta. Mudaram ainda os sistemas de produção: os bois foram substituídos por tratores e os cavalos por automóveis. E quase ninguém espera sobreviver comendo aquilo que caça.

As sociedades evoluem e, assim, cada época tem seus animais de estimação e seus problemas. Se hoje tememos a mordida de um pitbull, na Idade Média as crianças eram agredidas por porcos que perambulavam pelas ruas, como testemunham os vários processos ocasionados por esses animais durante séculos. No outro lado do mundo, os chineses já gostavam de peixes vermelhos desde 1200 e selecionaram os tipos brancos, os vermelhos com manchas amarelas, os listrados e bem pequenos e os com três caudas ou olhos protuberantes. Quanto a nós, só nos últimos decênios trouxemos para nossas casas e apartamentos (fenômenos ainda mais recente) cães, gatos e outros animais.

Não se trata, portanto, de uma "degeneração moderna", mas da adaptação a novas circunstâncias de um hábito antigo e difuso. Vale citar a clara explicação de Bruce Fogle, veterinário, ensaísta e fundador da Hearing Dogs for the Deaf, sociedade que adestra cães para pessoas surdas: "Os animais são parte integrante das culturas de todo o mundo, independentemente do grau de civilização alcançado. Para a maioria dos europeus e americanos, os únicos animais com que entram em contato são os de estimação, isto é, cães e gatos, os últimos elos de uma cadeia animal ligada a um passado que deixamos para trás apenas recentemente, quando nossos pais trocaram o campo pela cidade. Compartilhar o ambiente com outros animais é algo que tem raízes profundas na evolução da sociedade humana e foi com base nesse hábito que se desenvolveu nosso renovado interesse por animais de estimação".

Essa característica da natureza humana ajuda também a compreender a eficácia da pet therapy, a inserção de um animal de estimação no programa de cura e assistência a pessoas ou grupos com problemas físicos, psicológicos ou sociais, controlado e acompanhado por médicos, psicólogos e veterinários. Seria mais correto chamá-la de animal-assisted therapy - em português, terapia assistida por animais .

Esses "companheiros de tratamento" são quase exclusivamente cães e gatos, pois outras espécies, como macacos e papagaios, suscitam problemas de ordem moral e de preservação. O critério fundamental para que se possa falar de pet therapy é que o animal não seja apenas uma útil prótese "física" - como no caso de cães para cegos - mas se torne um "amigo", um companheiro de vida: deve ser criado um vínculo afetivo que desenvolva uma dinâmica psicológica positiva. As emoções, como sabemos, têm base bioquímica e incidem sobre processos cerebrais.

Um experimento famoso, realizado há cerca de 20 anos, mostrou que acariciar e falar a um gato reduz a pressão arterial. Pesquisas recentes parecem indicar que tais práticas aumentam também os níveis cerebrais de serotonina. Em muitos países, cães e gatos estão presentes em hospitais, escolas e manicômios, em terapias ou como simples companheiros. A mesma iniciativa é aplicada em presídios, para melhorar o ambiente e o convívio entre os detentos. Em Alcatraz (1962), de John Frankenheimer, um condenado criava canários e se tornava uma autoridade no campo da ornitologia. O filme lançou a idéia e, como recorda Ballarini, nos Estados Unidos, "desde 1978 as pesquisas sistemáticas sobre o uso de animais em manicômios criminais e prisões têm revelado que a prática atenua as tensões psíquicas e reduz a agressividade".

Mais recentemente, em 2003, na Universidade de Tel Aviv, realizou-se um experimento de laboratório para avaliar se fazer carinho num animal de estimação reduzia a ansiedade. A causa desta última era outro animal, mas pouco apreciado: uma tarântula. As pessoas submetidas ao teste eram 58. Os animais à disposição delas, nas várias sessões, incluíam um coelho, uma tartaruga, além de coelhos e tartarugas de brinquedo. O resultado foi que, ao acariciar os animais de verdade, até mesmo a rígida tartaruga, a ansiedade foi reduzida, inclusive nas pessoas que não eram particularmente afeiçoadas a bichos; os animais de brinquedo, porém, não geraram o mesmo efeito.

Resultados positivos também foram obtidos, em várias partes do mundo, com crianças com dificuldades de aprendizagem, idosos depressivos e doentes físicos e/ou mentais. Um episódio significativo é contado por Barbara Alessio. Uma jovem mulher que sofria de graves problemas psíquicos estava internada em um hospital psiquiátrico após a morte da mãe. Ela não falava com ninguém havia meses, até que um dia, por acaso, encontrou Asia, a cadela da psicóloga que trabalhava, justamente, em terapias assistida com animais. A jovem saiu então de seu longo mutismo, solicitando informações sobre a cachorra. O episódio é recente, mas lembra o que ocorreu ao psiquiatra infantil Boris Levinson, há quase 50 anos. O ocorrido foi para ele um momento exemplar, quase uma iluminação: um paciente, uma criança com graves problemas de comunicação, chegou para a consulta marcada. Naquele dia, o cão do médico estava sob a mesa e a criança se pôs a falar com o animal, exprimindo também emoções.

O aspecto terapêutico e pedagógico da relação com os animais não passou despercebido às autoridades italianas. Em fevereiro de 2003, foi aprovado um acordo entre o Ministério da Saúde e as várias regiões sobre "o bem-estar dos animais de estimação e a pet therapy", para "promover iniciativas voltadas a favorecer uma correta convivência entre as pessoas e os animais de estimação, respeitando as regras sanitárias, ambientais e o bem-estar dos animais". O acordo salienta, entre outras coisas, que é preciso "assegurar o bem-estar dos animais, evitando castigos diretos e indiretos e favorecendo o desenvolvimento de uma cultura de respeito pela dignidade deles, inclusive no âmbito da inovadora terapia animal". De fato, o bicho pode sofrer em tais terapias. Maus-tratos e outros abusos são indícios de que nem tudo vai bem, sobretudo para os animais, que não têm como se defender. Como já se notou, milhares de animais são abandonados todos os anos ou até eliminados porque apresentam transtornos de comportamento: na realidade, estes são ocasionados pelo comportamento equivocado dos donos.

A relação com os animais é feita de amor, mas o amor, muitas vezes, é equívoco, ambíguo, uma mistura de dominação e afeto. Camilla Pagani, do Instituto de Ciência e Tecnologia da Cognição do CNR, também estudou o lado obscuro da relação com os animais de estimação: "A pesquisa psicológica, realizada sobretudo nos meios anglo-saxões, mostrou que a violência contra os animais está, freqüentemente, associada a transtornos psicológicos, em particular a atitudes e comportamentos agressivos em relação a pessoas. Além disso, essa violência pode ser indicador de situações familiares e ambientais problemáticas, caracterizada, conforme o caso, por violência física, psicológica ou abuso sexual". Compreender o porquê dessa deterioração pode ajudar os envolvidos, sobretudo os animais, que, do contrário, estarão condenados a um triste destino.


Revista Viver Mente e Cérebro

02/11/2010

Estresse


Não é apenas o ser humano que pode sofrer de estresse. Essa palavra, tão comumente usada nos dias atuais, não é nenhuma novidade no mundo animal. 

Sob condições adversas, tais como: transporte, mudança de ambiente ou na rotina da casa, morte do dono ou na família e viagens, os animais podem reagir com mudanças fisiológicas e/ou comportamentais.

Alguns animais apresentam diarréias quando voltam do banho em petshops. Por melhor que seja o tratamento oferecido, para esses animais a situação gera estresse capaz de causar-lhes diarréia. Nesses casos, é aconselhável que o dono acompanhe o animal durante o banho. 

A introdução de um novo animal na casa pode ser um fator estressante para outro que já viva no ambiente, independente da espécie. A reação pode ser comportamental, com sinais que vão da agressividade à apatia, ou fisiológicos, com vômitos, diarréia ou perda de apetite.

A morte do dono é uma situação extremamente estressante. Muitos animais se recusam a comer por vários dias e perdem o interesse por tudo que os cercam. Há casos em que o animal chega a adoecer e até mesmo morrer, logo após a morte de seu dono. Notamos que esses animais não demonstram reação positiva ao tratamento, nos dando a impressão de total desinteresse por viver.

Em cães e gatos, a ausência do dono, diminuição do tempo ou frequência dos passeios, mudança de um empregado da casa, obras ou reformas ou situações em que o dono passa menos horas com o animal, podem causar estresse.

Na maioria dos casos, retirando-se a causa do estresse, o animal volta à sua vida normal. O estresse não é uma "doença" nos animais, mas um estado bastante comum. Ele pode sim gerar queda de resistência no organismo e levar a uma doença.

O estresse não pode servir de diagnóstico antes de eliminarmos todas as outras prováveis causas que levem a mudanças no comportamento e fisiologia. Nem todo o animal que está "diferente", está estressado; ele pode estar doente. Por isso, não deixe de procurar o veterinário.

(Silvia Parisi - Médica Veterinária)